O caminho astrológico-evolutivo do Symbolon

Publicado por Cláudia Ferrari

O Symbolon é um oráculo que sempre me chamou a atenção. Por ter 78 Cartas algumas pessoas pensam que se trata de um tarot clássico. Mas o Symbolon não é um jogo convencional: não tem uma separação entre os 22 Arcanos Maiores, os 56 Arcanos Menores e as Cartas de Corte. Trata-se de um oráculo com estrutura diferente do usual.

Com seus desenhos que apresentam mitos, que seus autores chamam de “Jogo de Memória”, o Symbolon é um baralho que nos diz muita coisa. O Symbolon possui nomenclaturas astrológicas dentro de uma estrutura riquíssima que venho apresentar para vocês neste pequeno ensaio. A parte astrológica deste baralho está disposta em 2 ou 4 elementos por carta.

O propósito do baralho Symbolon é “recriar memórias de vidas passadas”. As cartas mostram imagens de mitos europeus e de símbolos astrológicos.

Criado por Ingrid Zinnel, Peter Orbane e Thea Weller, publicado pela AGM Müller, 1993. Vem com 78 arcanos, sem títulos, apenas com imagens (7,2cm x 12,4cm).

Doze Cartas possuem 2 elementos. Os 12 Signos e seus Regentes Modernos: Aquário regido por Urano, Peixes por Netuno e Escorpião por Plutão.

As outras 66 Cartas possuem 2 signos e 2 regentes. E são estas 66 cartas que formam uma estrutura de desenvolvimento espiritual interessantíssimo através da astrologia. Este desenvolvimento é representado em forma de pirâmide, com a saída de uma carta por degrau.

A base da pirâmide tem 12 cartas. As 12 cartas que possuem 1 planeta e 1 signo e que representam o zodíaco. No segundo degrau da pirâmide iniciamos a jornada do “nascimento”. E a primeira carta a se “afastar” é a carta de Câncer, representando a Mãe e a Lua. E que representa o afastamento da mãe no momento do nascimento. No terceiro degrau há o afastamento do Pai: Leão/Sol.

E a partir do quarto degrau voltamos ao início do zodíaco para ocorrer o primeiro afastamento em Áries e assim sucessivamente. Em vermelho vemos o signo que irá se afastar no degrau acima.

O Symbolon possui uma sequência piramidal 12 +11 + 10 + 9 + 8 + 7 + 6 + 5 + 4 + 3 + 2 + 1 que será igual às 78 cartas do Tarot, mas que por valores numéricos diferentes, sugerindo energias diferentes. O Tarot clássico não encaixa neste mesmo modelo de pirâmide do Symbolon.

As 12 cartas de base são os 12 signos. O homem sobre a Terra.

No degrau das 11 cartas temos a saída em câncer da figura da mãe em Câncer, que seria o nascimento.

No degrau das 10 cartas a saída do Ego, do Pai em Leão.

No degrau 9 voltamos ao início e a carta sai por Áries. E assim sucessivamente até alcançar o Graal em Peixes no degrau de Aquário.

Pirâmide do Symbolon: É interessante observar que as cartas “saem” pelo centro. Câncer/Lua (Mãe) e Leão/Sol (Pai). Vale lembrar que Câncer é considerado portal de entrada da encarnação, enquanto Capricórnio é a saída. E que o objetivo da vida é a evolução – esta pirâmide, a subida da Kundalini através da coluna vertebral e dos chacras. E esta “retirada” de um signo a cada degrau da pirâmide está ligado a este processo evolutivo que é muito claro astrologicamente no Symbolon.

Na base da nossa pirâmide, estão os 12 Signos. O “Espaço Celeste” no qual o Ser Humano iniciará sua jornada.

No segundo lance da Pirâmide, começa a “saída’’ das cartas:

1. Câncer – A Mãe.
2. Leão – O Pai.
3. Áries – Primeiras sensações com o mundo.
4. Touro – Noção da matéria.
5. Gêmeos – Noção do outro.

Neste degrau temos um salto qualitativo de Gêmeos para Virgem (Pula-se o “Portal de Entrada na Vida” de Câncer e Leão uma vez que este baralho toma o Sol e a Lua como centro e o início do processo são os signos representantes da Mãe e do Pai.)

6. Virgem – Noção de Aparar as Arestas.
7. Libra – Noção do Amor ao outro.
8. Escorpião – A primeira morte, o desapego.
9. Sagitário – A “Visão” acima da matéria, a busca espiritual.
10. Capricórnio – O encontro da luz espiritual no alto da montanha.
11. Aquário – Levar esta luz à humanidade.

Em Aquário todas as fases foram superadas e assim como não é a toa que temos a carta Quantum Leap em Sagitário/ Aquário, teremos em Aquário / Peixes a conquista do “Santo Graal”. Conhecer a si mesmo para conhecer o universo e os Deuses. Viajar ao Centro da Terra e endireitar o caminho para alcançar a Pedra Filosofal.

Assim podemos observar o quão profunda é a representação astrológica deste baralho.
Numa leitura complexa pode ser usada a Pirâmide com todas as cartas e analisar o domicílio e a carta que sair naquele domicílio, que carta apareceu nos ”Portais de Saída” e o por que.

Exemplo: Se tenho a carta Black Mass no sexto degrau de baixo para cima na posição do Strategist, estou tratando do Portal de Saída de Gêmeos. Então o que teria a Black Mass a me dizer sobre uma “Evolução na Noção do Outro”?

Para uma leitura mais simples pode-se construir esta Pirâmide com menos degraus e até usar a Numerologia para orientar o assunto a ser tratado e determinar quantos degraus colocar na Pirâmide para cada caso específico.

Roda zodiacal com as correspondências das cartas do Symbolon

Numa leitura simples, os signos podem significar avanços (quando Touro aparecer na casa de Leão), situações estacionadas (quando Touro cair em sua própria casa), e atrasos (quando Touro cair em Áries); e assim sucessivamente em relação aos outros signos. E para quem entende de Astrologia, podem ser feitas análises extremamente profundas levando em conta o Mapa Natal e usando as cartas na Roda Zodiacal como uma Progressão Astrológica ou um Trânsito para o momento.

Espero que este pequeno ensaio ajude aos estudiosos deste baralho a compreendê-lo um pouquinho mais e que possam tirar dele tudo que tem a oferecer!

Deixe um comentário