Devido a algumas solicitações para realização de novas análises para o resultado final do segundo turno eleitoral, resolvi tirar novamente um par para cada candidato presidenciável, além de outro par, separadamente, para averiguação do impacto político que trará para o Brasil imediatamente. [Veja a tiragem anterior]
DILMA ROUSSEFF
O par representativo para a candidata neste segundo turno é o arcano maior 18 – “A Lua” em junção com o arcano menor “Ás de Espadas”. O arcano “A Lua” (que é muito psicoemocional) é extremamente complexo do ponto de vista comportamental, uma vez que não se evidenciam as verdadeiras intenções da candidata, escondendo o jogo o tempo todo, valendo-se de subterfúgios e, com isso, capacidade de esquiva.

Cartas de ‘I Naibi di Giovanni Vachetta’ (O Naipe de Giovanni Vachetta), 1893, Turim.
Há aqui uma possibilidade de envolver o público com artimanhas psicológicas, fazendo crer que o seu oponente é alguém que todos devem temer (de fato). Mas, é claro que o medo e angústia é que tomaram conta de Dilma e só resta a ela uma coisa a fazer: atacar.
Neste ponto, entra o “Ás de Espadas” com todo seu poder de contundência e de convencimento, significando que ninguém conseguirá calar a candidata (mesmo faltando-lhe objetividade). Notemos que ela herdou o arcano menor de Marina (conseguirá conquistar uma pequena parte de simpatizantes do PV) e procurará reproduzir o discurso desta última (Deus e família, principalmente). Está disposta a “jogar tudo no ventilador” e defenderá a si e suas propostas “com garras e dentes”. Podemos lembrar que o arcano anterior representativo de Dilma foi A Temperança, um estilo deveras moderado que não combina com a personalidade da candidata
(algo que contribuiu para perda de votos); agora, ela estará assumindo seu lado beligerante, afirmando: “deixa comigo, agora é a minha vez!”.
Porém, o arcano 18 esconde pontos cegos e isso poderá complicar a vida da presidenciável. Um discurso do tipo “não tenho nada a esconder” não se compatibiliza com esse arcano, e é bem provável que em poucos dias outro elemento oculto (escândalo?) venha à tona. O “Ás de Espadas” confere a certeza de que tudo é possível, e muita determinação em vencer, porém o arcano maior deixa muitas dúvidas no ar quanto à confiabilidade na candidata. Assim como saiu para Marina, o “Ás de Espadas” confere prestígio, mas não garante a vitória. Resultado: o passado sombrio da candidata e o fato de viver à sombra de Lula (a lua é um corpo que não tem luz própria e depende do sol para brilhar), sem história, indica decepções no próximo dia 31.
JOSÉ SERRA
Representado neste segundo turno pelos arcanos 20 – “O Julgamento” e “Rei de Espadas”, herdando o mesmo arcano maior da candidata Marina. No meu entender, ele, de fato, herda um grande parte do eleitorado do PV e isso muito o beneficiará (se aproxima mais do conceito político de Marina).

Cartas de ‘I Naibi di Giovanni Vachetta’ (O Naipe de Giovanni Vachetta), 1893, Turim.
Temos aqui a mesma situação que abordei anteriormente: “o candidato resgata um nicho de eleitores, ainda indecisos hoje”. No arcano 20 você colhe na mesma proporção que plantou (os feitos de Serra em suas últimas atuações políticas, falarão por ele).
Se o presidenciável se valer da inteligência e estratégia do “Rei de Espadas” poderá avançar rápido – algo do tipo: Serra recebe as agressões de Dilma e assim poderá reagir – “eu te perdoo, porque você não sabe o que está falando”. Talvez se apegue mais aos valores da família, resgatando-os (imagem relacionada ao arcano 20), demonstrando coerência e capacidade de discernimento. O surgimento do “Rei de Espadas” para o candidato é mais condizente para uma situação de presidente. Digo isto, porque o “Ás de Espadas” (de Dilma), “aspira a e luta por”, mas sugere que apenas ficará no campo das ideias.
Outro fator importante é o naipe de Espadas, que também saiu para Serra (lutar de igual para igual), só que o arcano menor do candidato permitirá mais autocontrole, frieza e destreza para contornar os ataques da candidata; se é no grito que Dilma tentará reverter o jogo, ela já perde aí, pois Serra se sairá melhor nos debates televisivos ou radiodifundidos (aprovação de público). O grande problema do “Rei de Espadas” é a teimosia, o ego intelectual, o egoísmo e a imposição de opiniões. Serra pode pecar por excesso de confiança e por dar pouco ouvido às advertências de membros de seu partido (inclusive do seu próprio vice, Índio da Costa). Apenas duas coisas tiram a vitória de Serra neste segundo turno: não se explicar corretamente sobre seus erros passados (governo de SP e privatizações) e a falta de clareza de seu plano de governo; se tentar repetir FHC, certamente perderá (o arcano 20 pede para o indivíduo se livrar de seu passado). Resultado: continuo crendo na vitória de Serra, embora Dilma tenha melhorado sua performance política. Ganhando, será por uma diferença muito pequena de votos.
O BRASIL PÓS ELEIÇÕES
Com o surgimento do arcano maior 03 – “A Imperatriz”, somado ao arcano menor “Cavaleiro de Espadas”, o resultado dessas eleições revoltará muito os votantes em Dilma. A tensão se fará presente no dia das eleições e também no seguinte, com severas trocas de acusações entre membros de partidos e também eleitores (denúncias de manipulações de votos e/ou das urnas eletrônicas) – a oposição será dominante e acirrada. O país tem fama de otimista e aguardará pelos frutos da escolha eleitoral. Repetindo a energia de Espadas, o resultado das urnas terá grande repercussão nos meios de comunicação, embora o candidato eleito não receba grande prestígio por parte do país. A “Imperatriz” é a mãe natureza e uma das pautas mais importantes será o meio ambiente, além da alusão à mulher, sua saúde, gestação e infraestrutura familiar. Já o arcano menor “Cavaleiro de Espadas” sugere reestruturação das rodovias e reorganização do trânsito nas maiores metrópoles, além de investimentos na segurança pública e captação de investidores estrangeiros.
O país terá um grande desafio a encarar pela frente, e a trajetória não será nada fácil. De qualquer modo, teremos ainda anos de muita produtividade pela frente, com a certeza de que, mesmo não tendo candidato melhor, a escolha de uma maioria selará os quatro próximos anos de forma definitiva.

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