Balanço da Previsão para 2009: O ano da resistência

Publicado por Giancarlo Kind Schmid

Dentre algumas observações que realizei em Força ou Fortaleza: o ano da resistência tomando como arcano A Força (11, no baralho tradicional, ou 8, no Rider Waite e derivados), ressalto particularmente:

Como estamos vindo de um período turbulento assinalado pelo arcano 10 (Roda da Fortuna), esse ano poderá ser marcado por tensões unilaterais, que hoje já se avizinham devido à desconfiança política e econômica de alguns países.

Preocupo-me com o choque de individualidades que se faz presente neste arcano, pois se nos basearmos na numeração clássica, o 11 é o encontro de dois egos. Ou ambos trabalham em parceria, ou disputas podem acontecer. O fato é que podem surgir duas tensões importantes e distintas: uma no Ocidente, outra no Oriente.

Em evidência, tivemos esse ano conflitos no Oriente Médio, entre Israel e Palestina (iniciado no final de 2008, mais precisamente no dia 27 de dezembro), que durou 03 semanas, cessando no dia 17 de janeiro. Cerca de 1.100 palestinos e ao menos 14 israelenses morreram.

Em março temos o problema envolvendo a Coréia do Norte (com a sua questão nuclear) gerando tensão com a Coréia do Sul e EUA. Pyongyang, presidente norte coreano, afronta o mundo ao testar mísseis e colocar satélites em órbita, ameaçando iniciar uma guerra caso sofresse retaliações quanto ao seu exercício militar.

Ainda, o Irã (através de seu presidente Mahmoud Ahmadinejad) provoca o mundo com a geração de suas usinas nucleares e o enriquecimento de urânio, instigando a desconfiança internacional, pelo receio de um iminente poderio nuclear em plena expansão e o futuro risco de conflitos e chantagens, em função de uma ameaça atômica.

Na América do Sul, temos o embate entre a Colômbia e a Venezuela em função das bases instaladas americanas instaladas na fronteira amazônica, com o suposto objetivo de combate ao terrorismo e narcotráfico local. A tensão se avizinha e torna-se objeto de preocupação internacional.

"La Fuerza" de Tomi Müller
“La Fuerza” de Tomi Müller

Na América Central, temos o problema do golpe de estado (em 28 de junho), em Honduras, contra o ex presidente Manuel Zelaya, deposto e refugiado (atualmente instalado na embaixada brasileira do país), processo político ainda indefinido, embora tenham acontecido novas eleições.

Analisando o bloco oriental, a China cujo símbolo é o dragão, mesmo diante da crise, ganhará mais força. Diversos pacotes e planos econômicos serão lançados, e estrategicamente a grande nação conseguirá emergir e se destacar ainda mais.

A China cresceu, mesmo diante da crise, tornando-se a terceira maior potência econômica do planeta. O soerguimento econômico está na margem de 8 a 9% e promete maiores patamares a partir de 2010.

O Brasil poderá crescer, embora modestamente. Cortes dos juros poderão facilitar nossas vidas.

O Brasil cresceu até mais do que o esperado, saindo da condição de devedor para credor (ao emprestar capital para o FMI). Uma das facilidades quanto aos impostos, foi a queda do IPI (Imposto Sobre Produtos Industrializados) favorecendo a população adquirir de automóveis a eletrodomésticos por um preço bem mais acessível.

Chamo também a atenção quanto às cobranças e problemas com países vizinhos, a citar Equador, Paraguai, Bolívia e Venezuela. Fundamental será reencontrar o caminho diplomático entre o nosso país e os citados.

Algumas tensões se fizeram presentes entre o Brasil e Paraguai (por causa das usinas hidrelétricas) e o Brasil com a Bolívia (em função da ocupação de terras bolivianas por brasileiros somado ao problema do gás). Temos os conflitos diplomáticos: Colômbia com a Venezuela e a Argentina com o Uruguai.

O recém empossado presidente americano Barack Obama terá muito trabalho “para colocar a casa em ordem”. Para cada solução buscada, enfrentará diversos dilemas. Isso já sugere por si só que os EUA não conseguirão resolver o problema da crise econômica; a maior parte das decisões será mais um paliativo do que uma renovação das estruturas atuais.

Será um ano de difícil tarefa de reorganização econômico-político-social através do qual o novo presidente será exaustivamente testado.

Em quase 1 ano de governo Obama, poucas soluções práticas foram tomadas para reverter a crise americana. Pressões externas, tentativas de conter o desemprego em massa, embora ocorra certo controle sobre a difícil condição econômica do país. Isso não significa uma solução final, ou uma resolução que tira os americanos definitivamente da crise; apenas uma amenização do problema em torno do sistema financeira, já desmantelado e ultrapassado.

Ressalto que não será um período muito favorável às ações de proteção do meio ambiente; aliás, é um assunto que não deveria fugir da pauta, mas que infelizmente será deixado meio de lado.

Embora algumas reuniões aconteçam em torno do assunto (controle climático), nenhuma decisão mais enérgica foi tomada a curto prazo, gerando descontentamento de muitas ONGs e membros internacionais. A próxima acontecerá em Copenhagen e é esperado um acordo com metas plausíveis e imediatas, e não apenas promessas para realização em uma década.

No geral, considerei o balanço bastante positivo, com relevância (em especial) para a área econômica e política.

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