Descrição

GOM Tarot

O GOM Tarot não nasceu como um baralho físico, mas sim como um conjunto de ilustrações criadas para o livro Curso de Enciclopédia do Ocultismo, publicado em Xangai no ano de 1937. As imagens foram desenvolvidas por um autor desconhecido para ilustrar graficamente as detalhadas lições de tarô ministradas pelo renomado ocultista russo G.O. Mebes (cujas iniciais dão nome ao deck) em São Petersburgo entre 1911 e 1912. Anos mais tarde, os pesquisadores Andriy Kostenko e Victor Olsufiev resgataram essas lâminas históricas, que foram traduzidas para o português por Martha Pécher.

Características Físicas e Acabamento

  • Monocromia em Azul: As ilustrações originais da obra foram impressas em tom azul-safira sobre fundo branco, conferindo um aspecto enigmático e de manuscrito antigo às imagens.
  • Estética de Espelho: Como uma característica conceitual única descrita em seus registros, as imagens apresentam o reflexo da realidade como se fossem vistas em um espelho — o que significa que o braço direito de uma figura corresponde, na verdade, ao seu lado esquerdo na interpretação.
  • Formato e Linhas: Por terem sido concebidas originalmente para as páginas de um livro e não para o manuseio de um jogo, as cartas possuem formato retangular com linhas e arestas vivas que misturam o estilo gráfico com representações geométricas.
  • Textos Conceituais: Os títulos e identificações das cartas não seguem o padrão comercial comum; eles trazem os múltiplos nomes filosóficos e as atribuições místicas dadas por Mebes em cada lição.

Estrutura e Tradição Simbólica

O projeto adota uma profunda abordagem cabalística e hermética, introduzindo uma inversão de numeração bastante marcante em sua estrutura:

  • Inversão dos Arcanos Finais: Rompendo com o padrão clássico do Tarô de Marselha e adotando uma lógica que influenciaria sistemas modernos, Mebes atribui o número XXI ao Louco (usualmente sem número ou na posição 22) e o número XXII à carta do Mundo (usualmente associada ao número 21).
  • A Justiça e a Força: O sistema mantém o posicionamento clássico francês da escola esotérica, com a carta da Justiça ocupando a posição VIII e a Força na posição XI.
  • Foco nos Arcanos Maiores: Embora o sistema teórico contemple todo o tarô, a identidade visual histórica do GOM Tarot ficou eternizada pelo conjunto de suas ilustrações detalhadas para os 22 Arcanos Maiores.

Iconografia e Elementos Visuais

A estética une elementos mitológicos do Antigo Egito, símbolos astrológicos e conceitos da Cabala para criar telas de meditação psicológica.

  • Modificações e Detalhes Ocultistas: O Mago (Arcano I) é retratado de pé atrás de uma mesa em formato de cubo branco ofuscante, com o símbolo do infinito brilhando em branco e ouro acima de sua cabeça. A Imperatriz (Arcano III) surge de forma inovadora em uma posição reclinada sobre um cubo semitransparente, com os pés apoiados em um crescente lunar.
  • Cenas Simbólicas Fortes: O Enamorado (Arcano VI) retrata a “Bifurcação” e o livre-arbítrio, mostrando um jovem sacerdote entre duas mulheres que representam caminhos opostos da vida (um vale florido e uma rampa rochosa abrupta). O Diabo (Arcano XV) é personificado pela figura detalhada de Baphomet com cabeça de bode e asas de águia, ostentando as palavras alquímicas “Solve” e “Coagula” em seus braços.
  • Presença do Uroboros: A carta do Mundo (Arcano XXII) traz uma elipse vertical formada por Uroboros — a serpente egípcia que abocanha a própria cauda —, em cujo centro uma jovem desnuda realiza uma dança triunfante.

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