Descrição

Le Veritable Tarot de Marseille de Kris Hadar

O Le Veritable Tarot de Marseille é uma prestigiada variação e reconstrução do modelo de Marselha publicado originalmente em 1996 pela editora canadense Mortagne. O baralho foi totalmente restaurado e redesenhado pelo tarólogo e pesquisador francês Kris Hadar. Suas cartas possuem as dimensões físicas de 6,50 cm x 12,20 cm e o idioma oficial de impressão é o francês.

Contexto de Criação e Filosofia

Lançado dois anos antes do famoso baralho de Camoin-Jodorowsky, o projeto de Kris Hadar foi guiado pela visão mística de que o tarô funciona como uma “catedral espiritual” capaz de guiar o indivíduo através de seu labirinto existencial. O autor realizou um minucioso escrutínio comparativo entre diversas matrizes históricas medievais e renascentistas para tomar decisões técnicas sobre quais detalhes iconográficos deveriam ser resgatados ou intencionalmente deixados de fora.

Estrutura Tradicional de Marselha

O baralho é composto por 78 cartas baseadas no mais estrito estilo de Marselha francês, dividindo-se em:

  • Arcanos Maiores (22 cartas): Apresentam os títulos originais arcaicos grafados em francês (ex: Le Fol, le basteleur, la papesse). O Louco (Le Fol) não possui numeração. Na organização dos trunfos, a Justiça ocupa a carta 8 (la Iustice) e a Força foi fixada no número 11 (la force). A carta 13 (A Morte) é apresentada sem título escrito.
  • Arcanos Menores (56 cartas): São cartas numéricas puramente geométricas e florais (pips), sem cenas ilustradas com personagens. Os naipes utilizam a nomenclatura clássica francesa: Baton (Paus), Coupe (Copas), Epee (Espadas) e Deniers (Ouros).
  • Cartas da Corte: Mantêm a hierarquia francesa arcaica composta por Valete (Valet), Cavaleiro (Chevalier), Rainha (Royne) e Rei (Roy). Críticos celebram a corte de Hadar por preservar com extrema fidelidade o espírito clássico de Marselha, a ponto de manter o Valete de Ouros (Page of Coins) totalmente limpo e sem qualquer título escrito na base, exatamente como ditavam os padrões antigos.

Decisões Iconográficas e Polêmicas de Detalhes

Kris Hadar adotou caminhos específicos no resgate de detalhes que costumam dividir opiniões entre historiadores de tarô:

  • Manutenção de Ambiguidades: Na carta da Temperança, Hadar escolheu preservar a linha sutil e ambígua que sugere o desenho de uma serpente na barra do vestido, sem escancará-la graficamente. O mesmo ocorreu com o contorno da plataforma da Estrela, mantida em traços originais discretos.
  • Remoção de Elementos: Na carta do Diabo (XV), Hadar optou por não incluir o detalhe do mamilo triplo em uma das figuras (embora este existisse na matriz Conver de 1760). No Carro (VII), ele removeu as linhas ambíguas das patas traseiras dos cavalos, seguindo a tradição simplificada de Paul Marteau.
  • Assinaturas Curiosas: Hadar incluiu suas próprias iniciais em algumas cartas e manteve as iniciais de Paul Marteau no Carro e no Dois de Copas. Além disso, no Dois de Ouros, inseriu o ano de 1996 ao lado da intrigante data histórica de 1181 (uma cronologia esotérica defendida por ele, mas sem validação em evidências acadêmicas).

Estilo Visual, Cores e Verso

Esteticamente, o baralho possui uma atmosfera e tonalidade marcadamente azulada (Blu-ishness), visível tanto nas cartas quanto na caixa de embalagem. As cores e as figuras foram “embelezadas” e suavizadas em comparação com os traços rústicos e brutos das xilogravuras primitivas do século XVIII.

O design do verso exibe uma estampa refinada composta por um medalhão geométrico circular centralizado em tons de ouro, azul, verde e vermelho, posicionado sobre um fundo azul-pervinca com bordas decoradas com motivos de flores e detalhes em vermelho escuro. Como o arranjo geométrico é espelhado de forma perfeitamente simétrica, o verso é reversível, atuando como um elemento de suporte técnico ideal para leituras divinatórias que utilizam cartas invertidas. O produto original vinha acompanhado apenas por um livreto guia compacto escrito exclusivamente em idioma francês.

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