Descrição

Tarot de Marseille de Nicolas Conver

O Tarot de Marseille de Nicolas Conver é considerado uma das maiores referências e o pilar canônico do modelo de Marselha moderno. Ele foi gravado originalmente em 1760 na cidade portuária de Marselha, no sul da França. Nicolas Conver detinha o prestigiado título oficial de “Mestre de Cartas em Marselha, Gravador da Corte”, o que conferia às suas matrizes uma precisão geométrica superior à de seus contemporâneos.

A relevância histórica deste baralho é tão profunda que os moldes originais em madeira (woodblocks) esculpidos por Conver sobreviveram ao tempo e serviram como base direta para as matrizes industriais do século XX, incluindo o famoso padrão da editora Grimaud (1930).

Estrutura Tradicional e Padrão

O baralho é composto por 78 cartas baseadas na mais rigorosa tradição francesa:

  • Arcanos Maiores (22 cartas): Apresentam a grafia clássica em algarismos romanos aditivos (onde o 4 é grafado como IIII e o 9 como VIIII). A numeração define a Justiça como o trunfo VIII e a Força como o trunfo XI.
  • Arcanos Menores (56 cartas): Não possuem cenas ilustradas com personagens, exibindo apenas arranjos geométricos e simétricos dos símbolos dos naipes, adornados por arabescos vegetais. Os naipes seguem a nomenclatura clássica latina: Copas (Cups), Paus (Staffs/Clubs), Espadas (Swords) e Ouros (Coins).

Técnicas de Produção Original e Cores

No século XVIII, a produção física das cartas utilizava técnicas estritamente artesanais:

  • Xilogravura: Os contornos pretos e firmes das imagens eram impressos no papel a partir das placas de madeira entalhadas por Conver.
  • Coloração por Estêncil (Pochoir): As cores não eram impressas mecanicamente. Lâminas vazadas de couro ou metal eram posicionadas sobre o papel, e as cores sólidas primárias (predominantemente o vermelho, o azul, o amarelo e o verde) eram aplicadas manualmente com pincéis grossos.

As edições originais de 1760 e suas reedições do século XIX (como as preservadas no British Museum) exibem pequenas falhas de registro e áreas onde a cor ultrapassa levemente os contornos, uma assinatura autêntica da manufatura da época. O verso das cartas costumava apresentar padrões geométricos simples em linhas azuis ou vermelhas para camuflar imperfeições do papel

Créditos das Imagens

As imagens do baralho foram digitalizadas e cedidas por © The Trustees of the British Museum.

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