A corrupção em diferentes áreas do poder constituído aparece continuamente nos noticiários dos jornais, canais de televisão e revistas. As ações desonestas e furtos, ainda que em graus diversos de intensidade, ocorrem em todos os continentes.
Resolvi fazer a experiência de ver como esse crime, que tem um alto grau de impunidade, pode ser visto pelo tarô. Defini oito ângulos e fiz a tiragem das respectivas cartas.

As três cartas da linha inferior foram tiradas para traduzir a natureza da corrupção que pode ocorrer nos Três Poderes da República brasileira: Executivo (governos municipais, estaduais e federal; ministérios e secretarias; órgãos e departamentos de segurança, de controle e de fiscalização do comércio, habitação, saúde, educação, trânsito…), Legislativo (senado, câmaras estaduais e municipais) e Judiciário (em seus vários níveis, órgãos e departamentos).
As duas cartas, na altura média, dizem o que esperar do povo e dos servidores honestos.
No alto, o Conselho (para o leitor interessado no tema) está ladeado pela carta que afirma
a natureza do assunto (à esquerda) e pela que resume o cenário geral no Brasil (à direita).
As ilustrações pertencem ao Tarot de Jean Noblet (1650) restaurado por Jean-Claude Flornoy
A Rainha de Ouros afirma que foco da corrupção está essencialmente vinculado ao dinheiro (Ouros) e que se trata de uma ação de apropriação dos bens e das riquezas ativadas nos setores produtivos da sociedade.
O clima geral, representado pelo Cavaleiro de Espadas, mostra que existem iniciativas (Cavaleiro) para trazer à luz do dia (Espadas) os atos de corrupção. Mas, constatamos na prática que a divulgação dos fatos não basta e que, na verdade, conhecemos na história brasileira uma série de personagens que se encaixaram no lema “Rouba, mas faz”, que permaneceram impunes e nunca devolveram os valores que desviaram para si e para seu próximos. Sintomaticamente, além de permanecerem incólumes, deram nomes a ruas, praças e edificações públicas.
A corrupção no Poder Executivo, ao ser retratada pelo arcano 13, A Morte, confirma o que os noticiários informam: é o espaço no qual a delapidação é mais ativa e implacável, abatendo de modo drástico os recursos que poderiam ser aplicados para o bem coletivo.
Para o Poder Legislativo, o Ás de Copas, traduzido em sua face negra, revela que a corrupção nessa área é movida pela sedução dos benefícios ilícitos, pelos prazeres resultantes das associações ocultas que se entrelaçam com todos os demais setores da vida política e econômica. Os legislativos constituem a feira de negócios dos quinhões que serão subtraídos do bem comum.
É notável que a carta Rainha de Copas, que traduz a corrupção no Poder Judiciário, pertença ao mesmo naipe da carta que saiu para o legislativo, indicando porém uma disposição mais receptiva do que ativa. A Rainha, figura feminina, de caráter passivo em relação ao Rei, não corre atrás e simplesmente aguarda as propostas chegarem. Esse arcano também explica o fato de que os processos que envolvem funcionários do judiciário, tendem a ser ocultados do conhecimento público.
O que esperar do coletivo, do povo, nesse contexto? Os Enamorados, sugere envolvimento emocional, mas pouca ação efetiva. O arcano seis também pode ser entendido como representação da força de divisão entre duas tendências opostas: a disposição para apoiar o que é honesto e a simpatia pelos personagens e cidadãos envolvidos nos atos de corrupção; daí um impasse que não se desenrola.
E os funcionários honestos? O Valete de Paus responde que, embora não tenham força suficiente (Valete) para vencer os poderosos acionadores dos mecanismos de corrupção, dispõem eles de energia e idealismo para levar adiante suas atividades voltadas à prestação do serviço público. Como mensageiros ativos poderão transmitir informações que ajudem a revelar as ações desonestas. De certa forma “nadam contra a corrente”, o que significa méritos a serem contados no Juízo Final.
E nessa direção, o conselho d’A Justiça é o de mantermos nossa posição firme em prol da administração honesta, dando todo apoio possível para que os culpados sejam punidos e para que os prejudicados tenham seus direitos restabelecidos.

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