A situação crítica que se apresenta em nosso país atualmente não é novidade. Independente de partidarismos o que o jogo ternário mostra é que a falta de planejamento gerou atitudes imediatistas, de curto prazo, que ampliaram a instabilidade com o passar do tempo. Não significa que jamais sairemos dessa situação, mas que a solução é enxergar as questões com olhos inteligentes na busca de superação gradativa e, por consequência, mais definitiva para o futuro.
O jogo de três cartas sugere, na casa-tema, a carta do Pendurado associado ao Oito de Copas. Há obviedade na estagnação, nas dívidas e prejuízos antigos que vem sendo arrastados para o momento presente. A crise é coletivamente prejudicial, atestada na carta do Pendurado, e existe a consciência de que em algum momento isso viria à tona através do Oito de Copas. Um tema que reflete a falta de planejamento e as pendências indefinidas que podem se mostrar intransponíveis no presente. As cartas apontam momento estagnado, antigo, pendente e que se tornou uma clara consequência da falta de preparo anterior.

O maior alarde dessa tiragem é a carta do Carro associada ao Sete de Paus na casa de obstáculo. Não há rápida saída e nem condições para se liderar uma superação sem traumas. O Carro no obstáculo dificulta andamento, atrapalha ação na questão e reforça a falta de liderança, determinação ou propósito dos governantes. Não se trata de um problema que traz consigo uma lição, mas apenas um custo alto por falta de preparo anterior. Junto do Carro a carta do Sete de Paus esclarece que a ausência da dedicação, da consciência e do progresso impedem a situação de se desenrolar bem. Em outras palavras, é uma casa de obstáculo que esclarece a importância de se ter um motivo e um objetivo concreto, a fim de se buscar uma saída legítima dentro de um problema. Não se sabe como chegou a um ponto tão confuso e, como falta a percepção da causa, não há clareza também na busca por uma saída viável ou efetiva.
A solução dessa questão aponta para a carta da Roda da Fortuna combinada ao Ás de Copas. Não há uma forma definitiva ou direta (e rápida) de se resolver os problemas do país. O jogo indica como ruptura da estagnação pequenas transições, ajustes passageiros, caminhos temporários que movimentem aos poucos algumas questões e, também aos poucos, abram espaço ao novo. Reciclar, rever, renovar ou transitar surgem como formas de mover a situação estagnada e enxergar as questões em novo prisma. Ainda não é possível cogitar mudanças definitivas, pois as causas são nebulosas e apontam a falta total de planejamento. Não basta atestar o problema sem agir sobre ele. Mas não basta, também, agir sem refletir. Por isso, a Roda da Fortuna indica movimentação em busca de revisões que promovam novos padrões futuros. Não se trata de apenas um tema crítico, mas vários pontos truncados, que devem ser arejados e revistos. A saída não está em consertar pequenos erros, mas em renovar e mudar o cenário atual de forma comprometida (Ás de Copas) em busca de novos horizontes.
O país não deverá sair da crise instantaneamente como tanto anseia, mas terá de lidar com ajustes e curativos paliativos, até que se renove de fato a forma de planejar seus problemas reais e estruturais.

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