Santo do dia 16 de agosto: São Roque e o Valete de Paus

Publicado por Simone Gomes Omega

São Roque teria nascido em Montpellier, França, por volta de 1295 e falecido em 1379. Pouco se sabe, ao certo, sobre sua vida, pois muitas informações ainda continuam envolvidas em mistério. Não se tem certeza nem do seu próprio nome, uma vez que Roque seria sobrenome e não seu nome de batismo. Seu pai, um mercador rico e ligado a famílias importantes da cidade, tinha funções governamentais e grande fortuna como herança.

São Roque é cultuado como protetor contra a peste e padroeiro dos inválidos, cirurgiões, e dos cães. É também considerado por algumas comunidades como protetor do gado contra doenças contagiosas.

São Roque e o Valete de Paus
Carta no Tarô dos Santos de Robert Place e
a imagem de São Roque na catedral de Palmi, em trajes
de peregrino com o bordão, o cachorro com o pão na boca,
a ferida na perna e a vieira (concha), símbolo dos peregrinos.

A sua popularidade, devido à intercessão contra a peste, é grande em todo o mundo católico e padroeiro de diversas profissões ligadas à medicina, santo protetor contra a peste, padroeiro dos inválidos, ao tratamento de animais e dos seus produtos e aos cães.

https://pt.wikipedia.org/wiki/Roque_de_Montpellier

Robert Place, o autor do Tarô dos Santos, comenta: “Esta carta representa a aventura e saída pra uma nova área ou empreendimento. Também representa a humildade que deve ter para admitir nossas fraquezas e aceitar a ajuda de outras pessoas.”

A vida de São Roque

Segundo uma lenda, Roque teria nascido com um sinal no peito em forma de cruz, o que o predestinaria à santidade. Órfão de pai e mãe muito jovem, Roque teria sido educado por um tio e estudado Medicina na sua cidade natal, porém sem concluir os estudos.

Praticante da caridade e do aperfeiçoamento espiritual, aos 20 anos, quando atingiu a maioridade, distribuiu seus bens aos pobres e com o tio que o havia educado e saiu em peregrinação a Roma.

São Roque operou muitas curas milagrosas pelas cidades por onde passou. Tomadas pela peste, provavelmente a Peste Negra de 1348, Roque trabalhou como voluntário levando a cura aos doentes apenas utilizando um bisturi e o sinal da cruz, o que fez com o considerassem cada vez mais um milagreiro.

Na viagem de volta para Montpellier, Roque foi acometido pela peste, o que o impediu de prosseguir com sua obra assistencial. Para impedir que outras pessoas fossem contagiadas, isolou-se numa floresta. Segundo a lenda, Roque não morreu de sede e de fome, pois bebia a água de uma fonte e um cachorro diariamente lhe trazia um pão.

Roque foi milagrosamente curado, mas logo foi preso e abandonado na prisão até morrer, acusado de espionagem e de disseminar a peste. Foi reconhecido apenas depois de morto por causa da marca da cruz que trazia no peito. A partir disso, a fama de sua santidade espalhou-se rapidamente, sendo-lhe atribuídos inúmeros milagres, tornando-se o protetor contra a peste. Um dos milagres atribuídos a São Roque teria sido o de curar a perna de seu carcereiro. Este, após tocar o corpo de Roque para atestar sua morte, teve sua perna coxa milagrosamente curada.

Sua canonização foi reconhecida em 1414, quando o contágio em uma epidemia de peste cessou completamente ao serem realizadas preces e procissões em sua honra. Cada vez que surgia uma epidemia, a devoção a São Roque tornava-se mais intensa.

São Roque e o Valete de Copas no Tarô dos Santos

No tarô, o naipe de Paus, representado pelo bastão, relaciona-se à energia e à espiritualidade, à coragem e à vontade para realizar objetivos. O Valete (ou Pajem) de Paus é aquele que sai em busca dessa realização. Pertencente a uma família de posses, o valete Roque divide sua herança com os mais necessitados para realizar algo ainda maior: operar curas nos lugares por onde passou em suas peregrinações. Roque empreendeu seu dom de cura e sua energia em uma época em que as doenças assolavam a população, trabalhando de forma voluntária, o que aumentava o aperfeiçoamento espiritual que buscava.

Roque foi vítima não apenas das doenças que tanto se empenhou em combater, mas também da intolerância daqueles que o acusaram e o abandonaram numa prisão até o dia de sua morte, São Roque, o jovem servo, não pensou duas vezes em deixar sua vida abastada para perseguir seus objetivos, movido por sua energia e força internas, a fim de realizar sua missão, concretizada nas curas e milagres por ele operados.

São Roque e o Louco no Tarô

Dentre as cartas do tarô, O Louco, muitas vezes intitulado “O Princípio da Coragem”, é o peregrino que deixa sua vida pregressa e seus bens materiais de forma voluntária para sair em busca de seus objetivos e sua iluminação espiritual. Apesar, dos perigos e desafios que sabe que irá enfrentar, O Louco segue com coragem e determinação, carregando apenas o que é mais essencial, simbolizado pela trouxa que carrega. O bastão em que ele se apoia representa seus desejos e sua vontade de trilhar seu próprio caminho. O cachorro que o acompanha representa a voz sábia dos instintos.

São Roque e as cartas O Louco no tarô
Pajem (Valete) de Paus no Tarot Mucha e O Louco no Tarocchi della Zingara

Da mesma forma que o Louco, Roque escolheu deixar sua família e seus bens materiais para tornar-se um peregrino e poder ajudar – por onde passasse – aqueles que precisavam de cura em um cenário devastado pela doença.

Ainda que tenha sido traído por alguns, Roque buscou superar os desafios e cumprir a tarefa que ele designou para si mesmo. O cachorro que acompanha o Louco pode ser visto como aquele que diariamente levava um pão para São Roque para que ele pudesse sobreviver isolado na floresta, ao ser acometido pela mesma doença que tentava combater mediante milagres de cura.

Ao observar os arcanos das imagens, podemos ver uma forte semelhança entre a imagem de São Roque, o Valete de Paus de Robert Place e O Louco do Tarocchi: o bordão/cajado que ele carrega, o cachorro que o exorta e a coloração da túnica.

Consulte o calendário Santos do Dia e o Tarô.

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