A música Além do Cansaço e o Dez de Espadas

Publicado por Vera Vilanova

O que têm em comum a carta Dez de Espadas do Tarot do Rider Waite, o poema Cansaço de André Caramuru Aubert e a música Além do Cansaço de Raimundo Fagner? Uma exaustão de viver, a desistência de continuar lutando, fim dos sonhos e esperanças, uma vontade de desistir de tudo: o estoque de resiliência chegou ao fim. Ou não?

Dez de Espadas no Tarot do Rider Waite

O Dez de Espadas, na versão do Waite, mostra uma perspectiva sombria, destrutiva, talvez até arbitrária e violenta, um fim intencional, mas que poderá trazer alívio e libertação. Geralmente essa carta indica um fracasso ou desastre repentino, um poder mais além de todo controle que nos golpeia, atormentando-nos sem dó e piedade, e sem aviso prévio. Ela pode anunciar também o abandono de ideias, de uma atividade e de convicções isoladas – ou a rejeição e/ou a necessidade abandono da filosofia de vida anterior.

É o que retrata o poema Cansaço de André Caramuru Aubert:

“às vezes me sinto tão cansado – com tamanha exaustão – que fico
com vontade de me deitar, no meio de uma praça,
no meio do dia. apenas me deitar. ignorando carros,
passarinhos e pessoas (possivelmente horrorizadas)
de cara feia. eu ficaria deitado, no meio de uma praça,
apenas ouvindo a grama crescer. e olhando, para alto,
para o céu.
dor passada não redime, a
dor presente não arrefece, a
dor futura ainda não é.”

A música Além do Cansaço de Raimundo Fagner, tem tudo a ver:

“Quando não houver mais música no ar
Nem houver sorriso em volta
Quando nada na tarde morta
Além do cansaço da vida falar
Quando o cigarro irritar a garganta
E a bebida os lábios queimar
E a presença de alguém que ainda canta
Não consiga no peito cantar
Quando a rua a casa e a porta
Não mais falem de ir ou chegar
Quando não mais houver poesia na triste
Canção da mesa de um bar
É preciso entender que perdida pela vida
Uma estrada caminha
E que uma cidade sozinha não comporta a procura da vida
É preciso sair pelo mundo
Procurando somente encontrar
É preciso alcançar a aurora
Que a noite teimou em fazer não chegar
É preciso entender que a vida quer um jeito de resistir
É preciso saber que agora
A aurora não pode esperar por vir.”

É preciso seguir em frente, temos que saber “Onde estivemos todo esse Tempo?

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