O Cinco de Ouros, no Rider-Waite Tarot, é uma carta que fala de pobreza, carência, deficiência, sacrifício, opressão, abandono, angústia, falta de esperança e miséria interior. Esta carta mostra as muitas fases do infortúnio material e espiritual: perda de fundos, pobreza em geral, enfermidade, desemprego, solidão e uma longa etapa de privações e provações, onde as pessoas, apesar do sofrimento, vão levando.
Apresenta uma cena de crise, em que não há dinheiro suficiente, às vezes até para se manter no dia a dia, uma situação muito precária e insegura. As pessoas ao seu redor também estão carentes. Indica que, além do impasse financeiro, pode estar atravessando uma séria crise existencial e/ou espiritual.
Psicologicamente, pode representar um período em que as forças externas – instituições sociais, família e amigos – não podem ajudar e se tem, portanto, que lutar contra os problemas e obstáculos sozinho. Em situações como essa, o Cinco de Ouros pode indicar uma humilhação e um grande golpe para a autoestima.

Nos países com grande desigualdade social, a situação dos mendigos que aparecem na carta é resultado do estado permanente da classe social a que pertencem, onde eles nascem, crescem e morrem em estado de extrema pobreza.
Os mendigos já se conformaram a tal ponto com suas existências que nem sequer procuram uma oportunidade de mudança. Para eles, a vida se resume a buscar a sobrevivência diária, que muitas vezes consiste em começar o dia matando a fome com um gole de cachaça.
Como homenagem ao samba de raiz do Rio de Janeiro, Partido Alto foi composta por Chico Buarque em 1972, em plena ditadura. Cheia de ironias e indiretas a música sofreu censura e teve dois termos vetados, a palavra “titica” teve que ser substituída por “coisica”, e “brasileiro” substituído por “batuqueiro”, o que já expressa sua importância histórica e política. Sua letra é uma brincadeira com a capacidade do povo brasileiro rir de si mesmo, conseguir ainda ser alegre em suas adversidades.
Em 2021, 49 anos após o lançamento, sua letra continua sendo uma irônica realidade. Notem que o brasileiro da música é do Rio de Janeiro. Do Rio sofrido e desgovernado por milícias, quadrilhas e suspeitos guardiões. E o que é pior, depois de todo esse tempo, essa situação que antigamente era uma realidade basicamente do Estado do Rio, é hoje um “retrato em branco e preto” do Brasil por inteiro, aquele que não foi convidado para “a festa pobre” de Cazuza.

Deixe um comentário
Você precisa fazer o login para publicar um comentário.